ESCUTE COM A ATENÇÃO DOS OLHOS por Plinio Sanderson


Dia da Poesia/89
"Se Wodem Madruga, um bode poente". 
(na foto: Alberon Soares, João Andrade, 
Dorian, Dião, Fábio d'Ojuara e Plínio)

O mundo não consegue deixar de ser uma redundante mesmice. Não é fácil conviver cotidianamente e o resto de toda vida atolado numa cultura que é surda para a realidade do mundo. Tenho pena de todos, mas sobretudo dos pobres gramáticos.

O tao ou o taurus? A Posse ou a pose? A bolsa de valores (“inferno de Wall Street”) ou os valores infindos da vida? Eureka Macunaímica: a fórmula da “Lei de Say” (da oferta e da procura) FOR SALE. Zé Jus, como Lafargue, despediu o patrão por que o dito cujo roubava o que ele mais-valia.

Estorvado na França, Oropa e Bahia, o aedo soteropolitano, sonha perambular transeuntemente nos becos de lama, ofertado e “Furtado” in provínvia Cascudiana. O caminho das pedras bíblicos, metamorfoseiaram-se nas pedras no meio da efêmera perdição bestial? 

A inveja das mulheres pela longevidade dos orgasmos múltiplos... Sob a espreita canibal do bispo Sardinha, deglutido eucaristicamente, a tal “Beata” foi acossada, fumada e claro, tragada, em plena via púbica com todos os regalos e honras da glande deusa, cabeça-troco-membros e o escambal - inclusive os sacosantos.

O que declamar nesta missiva à guiza de pré-fóssil ou ao “Guesa” Sousândradeano? Palavras compostas. Montagens léxicas. Tiradas filosóficas. Sínteses abissais. Cagadas e toletes existencialistas na labuta de uma pena atroz. Cânticos nas entranhas: seu tesouro... sua obra... sua merda...

Ouviver estrelas? Reverbera a extrema-unção de Antônio Short, donde a praça é do povo como o céu é do urubu, numa (in)versão beatinik: ninguém sabe ao certo quando uma poesia é boa ou um ácido não bateu.

Não fora-de-série, mas da série: toda merda agora é Arte! Tratados escatológicos paridos do quengo e expelido pela cloaca nos confins do ponto “G”, onde no hiato entre a pica e a xoxota só, somente só, cabe um beijo.

Apocalipsepopotese: Natalvesmaia, a pior de todas as heranças, o poder oligárquico. Telúrico-climático, asnal-lusitano, barroco-humanita. Populacho chucro, condenado à mestiçagem tropical, marcada e fadada à sua inata inferioridade. Idiotas de deuses, dizia Prodhon, se deus existe, é ele o principal inimigo do homem.

Ante a infinitude das possibilidades (Epicurismo e Orgone) , Zé Jus na primeira pessoa do singular é igual a pluralidade: “Manifesto Aberto a Estupidez Humana”, “Escuta, Zé Ninguém”, “O Direito à Preguiça”, “Admirável Mundo Novo”, “Poetamenos”, “Sem Tesão Não Há Solução” e as personas, Ezio Bazzo, Reich, Lafarque, Huxley, Noigandres, João do Rio, Roberto Freire... Os burburinhos da rua transforma línguas, inaugura carnavais e funda milacrias. A Poesia encantadora das almas: nada como o inútil para ser artístico. 


Braz Contente
“... quem nesta cidade ainda me defendia 
quando eu era mordido pelos cachorros” (Cascudo).
Dia da Poesia de 1985: "O Brasil mudou, mas não deixou endereço". Plínio carregando a faixa com o saudoso poeta Celso da Silveira...

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